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Quem Mata Paga a Conta: Quando o Criminoso Pode Ser Obrigado a Ressarcir o INSS Pela Pensão por Morte

  • 12/03/2026
  • Sem categoria

Uma decisão da Justiça Federal chamou atenção recentemente ao reafirmar um princípio fundamental do direito brasileiro: quem causa o dano deve arcar com as consequências dele.

No caso que repercutiu nas redes sociais e em diversos portais jurídicos, um homem condenado por feminicídio foi obrigado a ressarcir o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pelos valores pagos a título de pensão por morte à filha da vítima.

Em outras palavras, a Previdência Social continuou cumprindo seu papel de proteger os dependentes da segurada falecida, mas a Justiça determinou que o responsável pelo crime deverá devolver ao INSS tudo o que foi pago inclusive as parcelas futuras do benefício.

Essa medida possui enorme relevância social e jurídica, pois evita que os cofres públicos suportem os custos decorrentes de um crime violento, transferindo a responsabilidade financeira para quem efetivamente causou o dano.

Mas afinal:

  • O que significa essa decisão na prática?
  • Em quais situações o INSS pode cobrar o criminoso?
  • O que é a chamada ação regressiva previdenciária?
  • O assassino sempre terá que devolver a pensão paga à família da vítima?

Neste artigo, você entenderá como funciona essa responsabilização financeira no direito previdenciário, qual é o fundamento legal dessa cobrança e por que essa decisão representa um avanço importante para a justiça social e para a proteção do sistema previdenciário.

Sumário

  • O Que É A Pensão Por Morte No INSS
  • Quando A Morte Ocorre Por Crime: O Impacto Para O INSS
  • O Que É A Ação Regressiva Previdenciária
  • Por Que O Assassino Pode Ser Obrigado A Pagar A Pensão
  • O Que A Decisão Judicial Determinou
  • A Ação Regressiva Também Existe Em Outros Casos
  • O Criminoso Sempre Terá Que Pagar?
  • O Objetivo Da Medida: Proteger A Previdência Social
  • O Impacto Social Dessa Decisão
  • O Que Essa Decisão Significa Para As Famílias Das Vítimas
  • A Importância Da Atuação Jurídica Nesses Casos
  • Conclusão
  • Precisa De Orientação Sobre Pensão Por Morte Ou Direitos Previdenciários?

O Que é a Pensão Por Morte no INSS

A pensão por morte é um benefício previdenciário pago pelo INSS aos dependentes de um segurado que faleceu.

Esse benefício tem como objetivo garantir a subsistência da família que dependia economicamente da pessoa falecida.

Ele está previsto na Lei nº 8.213/91, que regula os benefícios da Previdência Social.

Podem ter direito ao benefício:

  • filhos menores de 21 anos;
  • filhos inválidos ou com deficiência;
  • cônjuge ou companheiro(a);
  • pais dependentes economicamente;
  • irmãos dependentes (em algumas situações).

Quando ocorre o falecimento do segurado, os dependentes passam a receber uma renda mensal substitutiva, que visa evitar que a família fique desamparada.

Esse benefício pode durar:

  • até o filho completar 21 anos;
  • por toda a vida, em casos de invalidez;
  • por períodos definidos para cônjuges, dependendo da idade.

Ou seja, em muitos casos o pagamento pode durar décadas.

É justamente por isso que, quando o falecimento ocorre em razão de um crime, surge uma discussão importante:

quem deve suportar o custo desse benefício?


Quando a Morte Ocorre Por Crime: o Impacto Para o INSS

Sempre que um segurado do INSS falece, o benefício da pensão por morte passa a ser pago aos dependentes.

Contudo, quando a morte é causada por um ato ilícito grave, como:

  • homicídio;
  • feminicídio;
  • violência doméstica;
  • crimes dolosos contra a vida.

a Previdência Social precisa assumir um custo que não decorre de um evento natural ou acidental, mas sim de um comportamento criminoso.

Isso gera um impacto financeiro relevante.

Para compreender melhor, imagine o seguinte cenário:

Uma mulher segurada do INSS é assassinada pelo companheiro.

Ela deixa uma filha de 10 anos.

Nesse caso:

  • a criança terá direito à pensão por morte;
  • o INSS pagará o benefício até ela completar 21 anos.

Isso significa mais de uma década de pagamentos mensais.

Embora seja correto que a criança receba proteção previdenciária, surge uma pergunta importante:

é justo que a sociedade pague a conta de um crime cometido por alguém?

A resposta jurídica encontrada pelo sistema brasileiro foi justamente a ação regressiva previdenciária.


O Que é a Ação Regressiva Previdenciária

A ação regressiva previdenciária é um instrumento jurídico utilizado pelo INSS para cobrar do responsável por um dano os valores que a Previdência teve que pagar em razão desse dano.

Ela tem fundamento no artigo 120 da Lei 8.213/91.

Esse dispositivo estabelece que, quando um terceiro causa um prejuízo que gera pagamento de benefício previdenciário, o INSS pode buscar o ressarcimento judicial desses valores.

Na prática, isso significa que:

  1. o INSS paga o benefício normalmente aos dependentes;
  2. posteriormente, o instituto move uma ação contra o responsável pelo dano;
  3. o culpado pode ser condenado a devolver os valores pagos.

Essa ação é chamada de regressiva porque a Previdência tenta recuperar valores que já desembolsou.

Esse mecanismo é muito utilizado em situações como:

  • acidentes de trabalho causados por negligência da empresa;
  • acidentes de trânsito provocados por motorista imprudente;
  • crimes violentos que geram pensão por morte.

No caso de feminicídio ou homicídio, o objetivo é claro:

impedir que o autor do crime transfira o custo de sua conduta para toda a sociedade.


Por Que o Assassino Pode Ser Obrigado a Pagar a Pensão

A obrigação de ressarcir o INSS decorre de um princípio básico do direito civil:

quem causa o dano deve reparar o prejuízo

Esse princípio está previsto no artigo 927 do Código Civil.

Segundo esse dispositivo:

Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

No caso do homicídio ou feminicídio, o dano não é apenas moral ou emocional.

Existe também um impacto financeiro direto para a Previdência Social, que precisa pagar um benefício que só existe porque houve o crime.

Assim, o raciocínio jurídico é o seguinte:

  1. o criminoso causa a morte;
  2. a morte gera direito à pensão por morte;
  3. o INSS paga o benefício;
  4. o custo decorre diretamente do crime.

Portanto, é juridicamente coerente que o autor do crime arque com esse custo.

Esse entendimento também possui forte base na ideia de responsabilidade social e justiça distributiva, pois evita que a coletividade pague pelos atos de um indivíduo.


O Que a Decisão Judicial Determinou

No caso que ganhou repercussão, a Justiça Federal reconheceu que o condenado por feminicídio deveria ressarcir integralmente os valores pagos pelo INSS à filha da vítima.

Isso inclui:

  • todas as parcelas já pagas;
  • as parcelas futuras do benefício.

Ou seja, o condenado não apenas precisa devolver o que já foi pago.

Ele também passa a ser responsável por arcar com o custo futuro da pensão.

Na prática, isso significa que o INSS continuará pagando normalmente à dependente, mas terá direito de cobrar esses valores do criminoso.

A decisão reforça um entendimento importante:

o benefício da vítima ou de seus dependentes não pode ser prejudicado, mas o custo deve ser transferido ao responsável pelo crime.


A Ação Regressiva Também Existe em Outros Casos

Embora o feminicídio tenha gerado grande repercussão, a ação regressiva do INSS não é algo novo.

Ela já é aplicada em diversas situações.

Entre os exemplos mais comuns estão:

Acidentes de trabalho

Quando uma empresa descumpre normas de segurança e um trabalhador sofre um acidente grave, o INSS pode pagar benefícios como:

  • auxílio por incapacidade;
  • aposentadoria por invalidez;
  • pensão por morte.

Posteriormente, a Previdência pode processar a empresa para recuperar os valores pagos.

Acidentes de trânsito

Motoristas que dirigem embriagados ou de forma imprudente podem causar acidentes graves.

Se a vítima receber benefícios previdenciários, o INSS pode cobrar judicialmente o responsável.

Violência doméstica

Casos de feminicídio ou agressões que resultem em incapacidade também podem gerar ações regressivas.

Esse tipo de medida busca responsabilizar financeiramente quem praticou o ato ilícito.


O Criminoso Sempre Terá Que Pagar?

Apesar de a lógica jurídica ser clara, a cobrança não ocorre automaticamente.

Para que o criminoso seja obrigado a ressarcir o INSS, normalmente é necessário:

  • comprovação do crime;
  • condenação judicial;
  • demonstração do vínculo entre o crime e o benefício pago.

Além disso, o INSS precisa ingressar com uma ação judicial específica para cobrar os valores.

Outro fator relevante é a capacidade financeira do condenado.

Em alguns casos, o responsável pelo crime pode não possuir patrimônio suficiente para pagar integralmente o valor devido.

Mesmo assim, a condenação pode gerar consequências como:

  • penhora de bens;
  • bloqueio de contas;
  • descontos futuros em rendimentos.

Portanto, ainda que a recuperação total do valor nem sempre seja possível, a decisão judicial estabelece uma responsabilidade financeira clara.


O Objetivo da Medida: Proteger a Previdência Social

O sistema previdenciário brasileiro funciona com base no princípio da solidariedade.

Ou seja, trabalhadores e empresas contribuem para financiar benefícios que serão pagos quando ocorrerem situações como:

  • aposentadoria;
  • incapacidade;
  • morte do segurado.

No entanto, quando um benefício surge em razão de um crime, surge um desequilíbrio.

Isso porque um ato individual acaba gerando custos coletivos.

A ação regressiva previdenciária busca justamente corrigir essa distorção.

Ela tem três objetivos principais:

proteger os recursos da Previdência

Evita que crimes gerem despesas permanentes para o sistema.

responsabilizar financeiramente o criminoso

A punição deixa de ser apenas penal e passa a ter impacto econômico.

reforçar a função preventiva do direito

Quando existe risco de consequências financeiras severas, a sociedade tende a compreender melhor a gravidade das condutas ilícitas.


O Impacto Social Dessa Decisão

A decisão que obrigou o condenado por feminicídio a ressarcir o INSS possui um simbolismo importante.

Ela mostra que a Justiça está buscando formas mais completas de responsabilização.

Tradicionalmente, a punição de crimes se concentra na esfera penal.

Ou seja:

  • prisão;
  • multa;
  • cumprimento de pena.

No entanto, crimes graves também geram consequências econômicas para terceiros e para o Estado.

Ao determinar o ressarcimento à Previdência, a Justiça amplia a responsabilização do autor do crime.

Isso transmite uma mensagem clara:

o custo de um crime não deve ser transferido para a sociedade.


O Que Essa Decisão Significa Para as Famílias Das Vítimas

Para os dependentes da vítima, a decisão não altera o direito ao benefício.

A pensão por morte continua sendo paga normalmente pelo INSS.

Isso é essencial, pois muitas famílias dependem desse benefício para sobreviver.

Portanto:

  • a criança ou dependente continua protegido;
  • o pagamento da pensão não é interrompido;
  • o INSS continua responsável pelo benefício.

A diferença é que o instituto passa a ter direito de cobrar os valores do criminoso.

Dessa forma, o sistema consegue equilibrar dois objetivos:

  1. proteger a família da vítima;
  2. responsabilizar financeiramente quem causou o dano.

A Importância da Atuação Jurídica Nesses Casos

Questões envolvendo benefícios previdenciários, ações regressivas e direitos dos dependentes podem ser complexas.

Muitas famílias enfrentam dúvidas como:

  • quem tem direito à pensão por morte;
  • quanto tempo o benefício será pago;
  • qual será o valor da pensão;
  • como agir quando o benefício é negado;
  • quais direitos existem após um crime ou acidente.

Além disso, casos envolvendo responsabilização civil ou previdenciária exigem análise jurídica especializada, pois envolvem legislação previdenciária, civil e até penal.

Por isso, contar com orientação profissional pode ser fundamental para garantir que todos os direitos sejam respeitados.


Conclusão

A decisão que obrigou um condenado por feminicídio a ressarcir o INSS pela pensão por morte paga à filha da vítima representa um avanço importante na responsabilização de crimes graves.

Ela reafirma um princípio essencial do direito:

quem causa o dano deve assumir as consequências dele.

Ao permitir que a Previdência recupere os valores pagos em razão de um crime, a Justiça evita que a sociedade suporte o custo financeiro de condutas ilícitas.

Ao mesmo tempo, o sistema garante que os dependentes da vítima continuem protegidos pelo benefício previdenciário.

Essa combinação de proteção social e responsabilização individual fortalece não apenas o sistema previdenciário, mas também a própria ideia de justiça.

Precisa de orientação sobre pensão por morte ou direitos previdenciários?

Se você tem dúvidas sobre pensão por morte, benefícios do INSS ou direitos previdenciários, buscar orientação especializada pode fazer toda a diferença.

O escritório Hermann Richard Advogados Associados possui atuação dedicada na defesa dos direitos previdenciários e na orientação jurídica em casos envolvendo benefícios do INSS.

Uma análise profissional pode ajudar a esclarecer:

  • quem tem direito à pensão por morte;
  • como solicitar o benefício corretamente;
  • o que fazer em caso de negativa do INSS;
  • quais são os direitos dos dependentes.

Se você ou sua família enfrentam uma situação relacionada a benefícios previdenciários, procure orientação jurídica especializada para garantir que seus direitos sejam plenamente protegidos.

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